Leia e chore

Se eu pudesse encontrar as palavras eu as escreveria. Venho tentando por horas pensar no quer dizer. O intento é produzir uma carta ou discurso apaixonado, daqueles que os atores fazem no fim de uma peça. Quero que o som das palavras ecoem como no ápice de uma sinfonia. Retumbante, envolvente, real.

No entanto, horas se passaram sem que eu consiga preencher os buracos com algum senso. Não sei como você conseguiu gradualmente ir desaparecendo, jogando fora todas as razões e significados que pudéssemos ter para continuar. Talvez, se encontrar você por aí eu possa então dizer ‘adeus’ ou ‘um vejo você por aí’, palavras ditas com um tom sarcástico.

Nós começamos como uma explosão e logo alcançamos o topo de mundo. Agora, exaustos e sem nenhum força para continuar, nos deparamos com um branco. O vazio do sentir engolfou nossa mente, o sentir se evaporou como a água no deserto quente. Teria você coragem de voltar e ler o que escrevo e então chorar. Não, você não chora, lágrimas nunca escorrem de seus olhos, apenas a indiferença acompanha o sorriso que seus lábios assumem ser a forma correta de enfrentar os adeuses.

Meu futuro se tornou apenas um sonho vazio. Como preencher uma vida que não teve sentido com algo diferente que não seja desespero. Minha vida foi inútil enquanto fiquei preso em um quarto escuro com você. Sendo seu prisioneiro não me permitiu crescer, ser algo diferente do que esta casca desfigurada de uma semente que não germinou.

Eu voltaria no tempo, no espaço, em múltiplas dimensões apenas para poder encontrar o caminho. Se por acaso nos víssemos frente a frente novamente, desta vez eu não fecharia a porta, não cobriria a janela. O quarto não seria escuro, o começo não seria uma explosão, mas um vagaroso crescer de desejo e sentimento. Eu germinaria e floresceria, no outono os frutos estariam fortes e prontos para reproduzir a sensatez que nós cultivamos.

Não foi assim. Nunca poderia ser. As escolhas foram erradas, os caminhos confusos e mal traçados. Influências de todos os lados mudaram nosso olhar, desfizeram os sentimentos, implodiram o entender. Não, você e eu nunca poderíamos ter um final sem lagrimas e sangue. É impossível entender como teria sido diferente. Você com seus egoísmos e distância, eu com minha aceitação e faz de conta. A verdade é que estávamos fadados a este fim.

Você nunca orbitou a meu redor, eu nunca orbitei você. Seu choro nunca me comoveu assim como minha dor não despertou nenhum de seus sentimentos. Não, não vamos chorar agora. Digamos adeus com a quantidade correta de sarcasmo e criticismo que sempre permeou o ‘nós’ e sigamos solitários para o lugar que nos está reservado no campo de onde ninguém pode retornar.

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