“Lockdown” Diário – Dias: 45 – 55

Dias 45 – 55

Sonhos estranhos tem me acordado de madrugada. Sonhos vividos em situações exóticas e confusas. Não existe medo nesses sonhos apenas o senso de fatalidade que parece estar nos acompanhando a cada passo nesse “lockdown”. 

Durante o dia a rotina, para alguém que trabalha em casa desde que mudou para Londres, não tem sido muito diferente. Acordar, café da manha, ajeitar a casa e escrever ou pintar. As únicas mudanças que percebo são meu marido e suas reuniões online no pequeno escritório anexo a cozinha – isso as vezes é um grande problema quando essas reuniões virtuais duram até tarde – e o fato de o silencio ter aumentado – o que é realmente maravilhoso. 

Outra mudança foi acompanhar notícias mundiais mais de perto, em particular as sobre o vírus e econômicas. Assusta o fato de governos autoritários como o Brasileiro, Norte-Americano e Britânico estão apostando em um tipo de política para o vírus que implica na morte de milhares de pessoas, principalmente pessoas idosas e pobres. Curioso, sempre o pobre paga o preço da incompetência e falta de visão dos governos. Aqui no Reino Unido o sentimento popular é que o governo decidiu abandonar qualquer tentativa de evitar o número de mortes em asilos e centralizou seus esforços em manter os hospitais funcionando. Não sei se a população está acompanhando essa estratégia, visto que os jornais e a televisão – pelo menos aquelas com maior alcance em todas as camadas da população como o Daily Mail, The Sun e BBC – parecem tímidos em criticar o governo ou mesmo estão funcionando como PR para o governo.

Existe tanta incerteza, dúvida e contradições, que de repente a insegurança e o medo que estavam sobre controle afloram. Você pensa no filho dormindo no quarto ao lado, no marido que pode voltar a trabalhar a qualquer momento usando meios de transporte lotados onde o vírus irá se espalhar sem timidez. Pensa no futuro com a recessão econômica que o mundo irá enfrentar e no fato de estamos nas mãos de políticos nacionalistas, fascistas e acima de tudo, mentirosos e egocêntricos.

Andam dizendo por aqui, foi primeira página de muitos tabloides, que o “lockdown” terminara na segunda-feira. Como isso será possível ninguém explica. O Reino Unido tem o segundo maior número de mortes mundial, perde apenas para os Estados Unidos – vale comentar que a população Britânica é 1/5 da Norte-Americana. Os casos da doença continuam aumentando, principalmente nos asilos, mas nada parece demover o Primeiro Ministro da ideia de que atender as demandas daqueles que o sustentam no poder e os que doam dinheiro para o seu partido é muito mais importante do que a vida dos cidadãos.

Hoje, o Banco da Inglaterra – algo parecido com o Banco Central Norte-Americano – previu uma queda no PIB do Reino Unido neste ano de 14% – a pior retração do PIB em 300 anos – e um aumento do desemprego de 8%. O país já estava seguindo para uma recessão antes do covid-19 devido as expectativas geradas pelo Brexit e o tipo de relacionamento que o país irá ter com a Uniao Europeia. Mas não é só isso que assusta que vive por aqui. EM 1 de Janeiro de 2021 todos os acordos comerciais gerados ou com a União Europeia deixarão de existir. Isso implicara em perdas que podem variar de 5 a 16% do PIB em 10 anos. 

Os apologista do livre mercado, do liberalismo sem medidas, da isenção de responsabilidade do Estado em suportar os pobres e doentes tem vencido cada batalha. DO Brexit a eleição de Boris Johnson, do abandono de qualquer suporte aos mais necessitados a venda do sistema de saúde publico – NHS – o governo tem se esmerado em garantir que a elite Britânica enriqueça e os povo empobreça. Desde salários, férias, licença maternidade e direitos humanos, o governo está lutando para abolir qualquer suporte as pessoas, deixando que o “mercado” resolva a desigualdade. O governo se gaba de estar seguindo o modelo Darwiniano – preservação do mais forte. 

Enfim, o que percebo é que finalmente o fim do tal Império Britânico esta as portas, batendo com furor. A grandes possibilidades de que a Irlanda do Norte e a Irlanda se unam, com a Irlanda do Norte abandonando o Reino Unido. A Escócia tem se demonstrado insatisfeita com a relação entre o parlamento escocês e o parlamento em Londres. Possivelmente, se as coisa seguirem a linha que estão seguindo, a Escócia também abandonara o Reino Unido. O País de Gales tem um enorme problema pela frente, sua economia está em frangalhos e será muito difícil para o país continuar sozinha sema. Inglaterra. O futuro por aqui não parece promissor. 

E o governo será que eles vão mesmo liberar geral segunda-feira? 

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