Rio

Água. Quanta energia ela transmite. Água que vem e vai do mar, água do lago plácida, mas que se agita com as carícias de um vento forte. Água fria, congelada no topo das montanhas. Água que cai sobre nós em véus brancos, forte e cheia de sons. Água origem da vida, fluido que sustenta a vida. Água em quantidades desmesuradas habitando um planeta chamado Terra. Água azul, verde, as vezes colorida. Água por todos os cantos, todos os lugares. Visível e invisível. Água e mais água.

Água que corre pelo rio. Rio calmo, cruzando planícies unindo-se a outros rios; crescendo, transportando vida e levando fertilidade a terra. Rio majestoso, rio simples. Riozinho que começa aqui e termina logo ali. Rio poderoso que atravessa países e mais países e deságua no oceano se misturando, mesclando e transformando esse mesmo oceano.

Rio. Rio que me lembra você. 

Você é meu rio. Navego em você todos os dias. Pela manhã para sentir em seus movimentos qual caminho seguir. E lá vou eu. Navegando, sentindo e fazendo sentir. Suas palavras, gestos e sorrisos me transportam através de muitos sentimentos, diversas emoções. Nessa hora você e o rio calmo, forte me levando de sentimento em sentimento. Desejo em desejo, até compreender o que sou e quero.

No meio da tarde, você é o rio agitado. Navegar torna-se mais complicado. Pois agora tenho que entender que sua agitação pode me derrubar me fazer naufragar. E em você continuo a navegar. E são suas carícias, olhares que me carregam de esperança em esperança, pensando como isso vai acabar.

À noite, como céu escuro e estrelas em sua agitação habitual, Selena querendo gerar luz, conformando-se a refletir o brilho de Hélios.  Esse e o momento no qual você se transforma em um rio violento, caudaloso, agitado e agitador. Ate então, eu me segurava para não cair, não mergulhar nesse rio. Sem pensar caio em suas águas e mergulho fundo em você.

E sua violência, sua angústia e desejo não ditos, uma melancolia escondida pelo sarcasmo, que me carrega, me envolve em suas águas frias, escuras, misteriosas. Instante esse no qual percebo que o corpo não importa, apenas o sentimento é relevante. São suas águas involuntárias que me transformam em ninfa, deusa das águas. Em menina perdida e mulher encontrada. A surpresa de compreender que apenas você consegue essa mutação, apenas esse rio no qual você se transforma e que me transforma também.

Então, na agitação e desespero, na transformação mítica do corpo e da alma, você me possui, entrando e expondo meu real ser. Nos transmutamos em natureza nos entregando censuras. E você que me tinha até alguns minutos, agora é tido por mim

Meu rio. Onde me afogo e navego, onde meus sonhos se realizam, meus desejos se concretizam. Rio que me compreende e permitindo me ser e pertencer. Meu rio, doce ao amanhecer; forte ao entardecer e absolutamente dominador ao anoitecer. Rio, que eu amo; amo saber que você vem e vai me levar, levar em suas águas, em seu domínio e que vamos no final desaguar no mar.

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